sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Cidade dos Anjos

Bom dia. Sim, porque há dias que são obrigatoriamente bons. Tal e qual orvalho que pinga das letras no cansaço que foi pingar.
Há dias que são bons porque é simplesmente natural ter dias bons. E outros que fatidicamente não podem ser maus, ou não se troque o destino nas datas.
Hoje tenho asas, e voo baixinho. diz se baixinho, porque o universo é infinito e por muito "alto" que seja aos olho de um possível deus o máximo que serei é sempre uma gaivota. Já não vou para anjo. Ainda não abriram as candidaturas ao céu.
O mais que posso fazer é sonhar no infinito, que só por si é já uma palavra limitada que falhou a descrever tantos sentimentos sem fronteiras definidas.
Eu voo, sentado nas minhas linhas. De cabeça cheia de prosa desfeita. Coração cheio de histórias.
E voo, deitado nas palavras.
Desperto na tinta, nas feições de cada letra.
Perdido, em ti.
Ou talvez em mim. Quando se está perdido não se sabe exactamente onde se está. Assim como quando se voa.
No meu, ou no nosso...
Céu.
O meu amor, são dias que são bons quando não estava marcado.
quando o fado dorme até tarde e não dita ao nascer do Sol.
É uma lareira acesa num dia de Inverno.
São beijos que deixam palavras como infinito parecer pequenas. Afinal, são só oito letras e um segundo.
Sentado nas minhas linhas o tempo tem indecisões, e Cronos desorienta-se. Ou talvez seja só pretensioso.
Pensar que quem se senta em cadeira altas se incomoda com quem voa baixinho.
Talvez até pensar.
Só sei que há dias destinada ser bons. E dias que sem destino ser tornam bons.
E que contigo isso acontece quase sempre.
Talvez sinta que não voo tão baixo de mãos dadas.
Meu amor, há dias e dias. e segundos que valem Eóns.
E é em eons que se mede a altura dos meus voos.
Passamos todo esse tempo a conversar, e a viver.
Anjos voam alto. Eu voo Éons em que eles ainda nem tinham sido pensados.
É possível que o meu mundo contigo seja mais antigo que a própria Terra.
É crime no meu mundo ser tempo da convenção.
Éons de histórias por contar e inventar somos nós.
Sentados em cadeiras baixinhas a ver a cidade dos anjos.
Bom dia e Feliz Natal.




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